• Rodrigo S. A. de Almeida

A segurança dos seus dados passa por você, incauto usuário.

Se tem algo que nunca tem fim é a genialidade humana para o bem e para o malware.


Com o aumento exponencial da utilização de soluções de informática em nuvem nas mais variadas aplicações, desde pessoas físicas a organizações públicas e privadas em todo o mundo, é necessário redobrar a atenção no tocante a segurança digital dos bilhões de dados que trafegam diariamente na internet, seja melhorando a educação digital dos usuários ou através de constantes aprimoramentos tecnológicos, pois se tem algo que é infinito é a capacidade da tecnologia se reinventar.


Quando os computadores começaram sua "invasão' aos lares brasileiros nos idos dos anos 90, as principais ameaças eram os vírus que vinham camuflados em disquetes, o que pedia ao usuário prudência na utilização, passando o mesmo num software antivírus antes de acessa-lo, para assim ter mais confiança ao utiliza-lo, e mesmo assim o software poderia estar desatualizado de novos ataques e ameaças, um dos maiores medos naquela época era o temido "trojan". Como não havia nesse tempo a internet, para a grande maioria das pessoas, o "contágio" era feito fisicamente quase como uma gripe digital, que pedia a prudência de usar "máscara" para não adoecer o computador.


Ao passo que a internet ia nascendo e crescendo no Brasil, e no mundo, e a informática, computadores e computação passaram a ter o uso mais difundido, saindo de um nicho de nerds, profissionais de T.I. e entusiastas, agora já estamos no início do mundo globalizado digitalmente, se podia enviar uma carta eletrônica (e-mail) para qualquer lugar do planeta, e que incrivelmente no mundo da tecnologia existe até hoje, ao passo que disquetes, CDs, DVDs, MDs e outras tecnologias sumiram e foram ultrapassadas (quem diria que o fax se tornaria algo inútil?), as proteções de antivírus começaram a ser cada vez mais essenciais, exigindo à todos que atravessaram essas revoluções tecnológicas se adaptar, e se educarem a evitar ao máximo cair nas "iscas" plantadas por hackers e outros malfeitores digitais, que para variar se aproveitam da ingenuidade de usuários incautos.


No século 21 chegamos a personalização e individualização do usuário, os computadores saíram das salas, dos quartos, escritórios e foram parar nos bolsos e bolsas dos usuários, com direito à redes sociais, blogs e diversas formas de serem encontrados e catalogados, as vezes à revelia embora na maioria dos casos por pura vontade de ter sua identidade, voz e opiniões numa janela para o mundo, abrindo precedentes para que pessoas mal intencionadas percebessem que podiam ter acesso a informações que jamais teriam se não fossem essas janelas, e novamente se aproveitando de que a maioria das pessoas não são experts em tecnologia, e muito menos em segurança digital, são apenas usuários.


Torna-se nítido que ter dados expostos, para sabe-se lá quem, é um perigo invisível e complicado, visto que às vezes uma palavra-chave, senha ou um número pode dar acesso a uma gama infinita de informações, portanto percebemos que a segurança digital passa por pelo menos dois pontos importantes e cruciais, a educação digital dos usuários leigos em perceber que há um universo por detrás de um clique, sendo necessário estimular as pessoas a terem a velha prudência que existia no tempo dos "disquetes", aquela cisma de que talvez aquilo que veem, recebem e leem pode não ser verdade, o outro ponto é a tecnologia que sempre será uma infinita batalha por aprimoramentos, novas barreiras e filtros.

Texto para a Fundação Getúlio Vargas - FGV/SP.